páginas

sexta-feira, 10 de junho de 2011

texto#


Com vontade de chorar, sigo escrevendo um texto que não me pertence. São páginas de afirmações em aspas colocadas sob a perspectiva de outros, que, ao longo de dias, me convenceram da veracidade do seu discurso.
Nem chego a questionar a opinião alheia, já que estou quase sempre do mesmo lado. Jornalista é sempre vendido para algum tipo de opinião. Basicamente, é a favor ou contra e, desse panorama, surgem fontes, especialistas e gente que sustente um combinado com o editor.
Não resolve, tem dias que não sai. E se texto fosse uma entidade, eu o faria encarnar em mim. Trabalho numa construção mental que me dá um escudo contra o tédio, que, por sua vez, me dá uma não culpa pelo atraso, pelo saco cheio. É quase como se eu esperasse cair do céu, brotar dos dedos e virar letra, confiando na apuração da minha curiosidade, sustentada pela patota que entrevistei. Já aprendi, daí a passar a diante, é outro caminho longo. Sou movida pela curiosidade, não pelo altruísmo. E acredito que seja isso que divida alguns repórteres. O saber ou o pensar no bem comum, aquilo de querer que alguém saiba. Eu não acredito mais nas pessoas (visão temporária, espero), é complicado pensar no que querem ler.
Se sugiro uma pauta, o faço movida pelo meu interesse ou, no máximo, por uma peculiaridade que desperta do querer saber comum a meia dúzia de pessoas.
Tem alguma coisa errada. No começo, acreditava na notícia, mas me vejo tão distante dela que não sei para que lado ir. Já não parto do princípio do “você tem que saber uma coisa”, mas de uma convenção que pauta as notícias e que lembro ter estudado na faculdade.
Poderia escrever horas sobre esse sentimento, ensaiando o que sei e não sei. Mas o traço do word piscando insiste, sem dó, na escrita daquele outro texto, o que não é meu. Sei que tenho que contar algo para alguém, só não sei o que. E choro, sabendo que tenho uma responsabilidade muito frágil.